quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Criança e a Psicanálise - Anna Freud

O trabalho psicanalítico com a infância e a adolescência é algo novo, tendo em vista a resistência de muitos analistas quanto ao tratamento do ser humano ainda em formação. O receio justificavel é a intervenção no processo transferencial no qual a criança está inserida. Desde os primórdios da psicanálise discutem entre si os Annafreudianos e os Kleinianos.


A Clínica Psicanalítica de Crianças para Anna Freud não busca o processo transferencial de um par analítico, mas um setting triádico onde a figura de pai é preservada. Suas concepções seguiam o caminho do pai que, após a análise do pequeno Hans, considerava que a criança era frágil demais para ser submetida ao verdadeiro processo de análise. Defendia o princípio de tratamento sob a responsabilidade da família e dos parentes, e a tutela das instituições educativas. Para ela, o terapeuta não poderia tomar o lugar do pai e uma interveção em seres tão f´rageis e em formação poderia trazer transtornos irreparáveis. As instituições educacionais teriam um papel de suma relevância no tratamento das crianças, pois na criança, havia uma “falta de maturidade do supego. Nesse campo, a abordagem analítica deveria ser integrada à ação educativa” (ROUDINESCO & PLON, 1998, p. 259).

 Em 1926, afirma que “as crianças não se mostram inclinadas a exercitar a associação livre e, assim sendo, nos obrigam a procurar um substitutivo deste instrumento” (ANNA FREUD, apud. SILVA, 2006 p. 82). Segundo a autora, por serem seres imaturos e dependentes, não são capazes de contar a própria história, por isso o analista deve buscar as informações com os pais. Assim, lidava com os pais da realidade, como fez Freud na análise do pequeno Hans.

O Analista Infantil deveria ser, antes de tudo, um educador. Seu papel se confundia com o de um professor. A Clínica da Psicanálise infantil passaria a ser a clínica da pedagogia psicanalítica. Abriu uma escola especial, que depois passou a ser freqüentada por crianças, filhos de pais simpatizantes à psicanálise e, em 1937, fundou um pensionato para crianças pobres ‘Jacson Nursey’, inspirado no abrigo de Maria Montessori. Criou o ‘Kindersoeminar’, seminário de crianças que formava terapeutas capazes de aplicar os princípios da psicanálise à educação, fomentando a invenção de uma pedagogia psicanalítica. Dessa forma, o analista deveria exercer o duplo papel de analisar e educar.



No entanto Anna pouco teorizou sobre os laços do filho com a mãe. 


“Aos olhos de Anna, só contava a relação com o pai. Daí a prioridade dada à pedagogia do eu, em detrimento da exploração inconsciente” (ROUDINESCO & PLON, 1998, p. 259). 


O Modelo Annafreudiano nos remete à percepção das Relações Vinculares. Ao se atender os pais, os filhos serão por meio deles escutados e os pais corrigirão a forma como promoveram a neurose. Por meio dessa ótica, não há uma busca de técnicas de intervenção com a criança, visto que toda a colheita de informações ocorre por meio das intervenções com o pai.



  



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